VERBO SERTANEJO

Estréia – série Verbo Sertanejo: Antônio Francisco, o poeta que pedala sonhos pelas ruas de Mossoró

Cordelista, Patrimônio Vivo da cultura potiguar e símbolo da identidade nordestina, ele transforma o cotidiano em poesia e encanta gerações

Quando pedala pelas ruas de Mossoró, no Oeste do Rio Grande do Norte, Antônio Francisco parece seguir guiado pelos próprios sonhos. No ritmo da bicicleta, observa o mundo com sensibilidade e transforma inquietações, em poesia, em cordel.

Sua escrita, forte e delicada ao mesmo tempo, provoca o leitor: desperta reflexão, crítica, surpresa, leveza, espanto e amor. É assim que, verso a verso, ele constrói uma obra que traduz a alma do povo nordestino.

Raízes que inspiram

Nascido em 21 de outubro de 1949, no bairro Lagoa do Mato, em Mossoró, Antônio Francisco carrega em sua trajetória a essência de um homem simples e profundamente conectado às suas origens.

Bacharel em História, também atuou como xilógrafo, compositor e confeccionador de placas de carros. Mas foi apenas por volta dos 46 anos que a poesia o encontrou de forma definitiva. Laçado pelo cordel, nunca mais parou.

Desde então, construiu uma produção consistente, com cerca de 50 cordéis e seis livros publicados, alcançando reconhecimento em todo o país. Atualmente, é membro da Academia Brasileira de Cordel, ocupando a cadeira 15, cujo patrono é o poeta cearense Patativa do Assaré.

Reconhecimento que ecoa

A relevância de sua obra foi reconhecida por importantes instituições. Antônio Francisco recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e foi declarado Patrimônio Vivo da Cultura Potiguar pelo Governo do Estado.

Honrarias que confirmam aquilo que o povo já sabe: sua poesia é parte viva da cultura nordestina.

Presença no Mossoró Cidade Junina

No maior evento junino do Rio Grande do Norte, o Mossoró Cidade Junina, o poeta ganhou um espaço que leva seu nome: o Polo Antônio Francisco, que acontece de 10 a 25 de junho,localizado no Memorial da Resistência.

O espaço celebra sua trajetória, sua obra e sua identidade, aproximando o público de um dos maiores representantes da cultura mossoroense.

Uma obra que guarda memórias

A produção de Antônio Francisco reúne sensibilidade, memória e pertencimento. Entre seus principais trabalhos, destacam-se as antologias Dez Cordéis num Cordel Só e Por Motivos de Versos.

Nesta última, o poeta revisita suas origens e constrói narrativas marcadas pela afetividade e pelo olhar atento às transformações do tempo.

No poema Um bairro chamado Lagoa do Mato, ele traduz, as mudanças vividas em seu lugar de origem:

“Nasci numa casa de frente pra linha,
Num bairro chamado Lagoa do Mato.
Cresci vendo a garça, a marreca e o pato,
Brincando por trás da nossa cozinha…”

Ao longo dos versos, o passado cheio de vida contrasta com um presente marcado pela urbanização e pelas mudanças sociais, revelando um poeta atento, crítico e profundamente humano.

A força da cultura nordestina

A obra de Antônio Francisco também integra projetos como Nas Ondas da Leitura, da editora IMEPH, que valorizam a identidade cultural nordestina e fortalecem o sentimento de pertencimento.

Mais do que poesia, sua escrita é memória viva: um testemunho da cultura, da linguagem e da história do povo potiguar.

 

 

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