Um surto de problemas gastrointestinais mobilizou equipes da Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró no último fim de semana. Mais de 500 detentos do Complexo Penal Estadual Agrícola Doutor Mário Negócio e da Cadeia Pública Manoel Onofre apresentaram sintomas como diarreia, vômitos e dores abdominais, levantando a suspeita de intoxicação alimentar ou infecção causada por vírus ou bactéria.
A reportagem do Portal da Rural de Mossoró conversou com a secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas, que afirmou que o primeiro alerta foi recebido na noite da última sexta-feira (19), por meio da direção da Cadeia Pública Manoel Onofre.
Segundo ela, diante da situação, a Secretaria de Saúde montou uma força-tarefa para prestar assistência aos internos. “No sábado já nos organizamos com a equipe da atenção primária que realiza atendimento na unidade, além de reforçar o trabalho com mais dois médicos e equipes de enfermagem para medicar os detentos que apresentavam sintomas”, explicou.
A secretária informou ainda que as equipes permaneceram na unidade até a noite do sábado e retornaram na manhã do domingo para atender os apenados da Penitenciária Mário Negócio, onde também foram registrados diversos casos com o mesmo quadro clínico.
“Passamos todo o domingo prestando assistência médica e de enfermagem, com administração de medicamentos endovenosos, intramusculares e antibióticos, buscando restabelecer a saúde desses pacientes”, destacou Morgana Dantas.
Paralelamente ao atendimento médico, a Vigilância em Saúde e a Vigilância Sanitária iniciaram uma investigação para identificar a causa do problema. A equipe realizou inspeções na unidade prisional e também na empresa responsável pelo fornecimento da alimentação.
“Foi feita uma notificação à empresa fornecedora. Recolhemos amostras dos alimentos armazenados, que já foram encaminhadas ao laboratório do Estado para análise. O objetivo é identificar se houve contaminação por algum vírus ou bactéria que possa ter provocado o surto”, afirmou a secretária.
Morgana Dantas também revelou que já existiam reclamações sobre a qualidade da alimentação fornecida aos detentos. Segundo ela, diretores das unidades vinham relatando insatisfação com as refeições servidas.
“O número de queixas relacionadas à empresa já vinha sendo registrado. A comida era considerada de péssima qualidade e acreditamos que o Estado precisa avaliar a contratação de uma nova fornecedora. Embora não haja interdição neste momento, devido à complexidade dos processos administrativos, é fundamental que sejam feitas adequações imediatas para garantir uma alimentação digna e segura aos internos”, ressaltou.
Até o momento, não há registro de casos graves ou mortes relacionadas ao episódio. O resultado das análises laboratoriais deverá apontar a causa da ocorrência e orientar as medidas que serão adotadas pelos órgãos responsáveis.
