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Acidentes de moto sobrecarregam hospitais e custam mais de R$ 6 milhões ao SUS no RN

Os acidentes de trânsito continuam provocando forte impacto na saúde pública do Rio Grande do Norte. Um relatório elaborado pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) revela que os principais envolvidos nessas ocorrências são motociclistas do sexo masculino, com idade entre 20 e 39 anos. Dos atendimentos registrados, 71% das vítimas são homens, 50% têm entre 20 e 39 anos e 64,09% eram condutores de motocicletas, evidenciando o perfil predominante dos acidentes no estado.

O estudo, intitulado “O impacto hospitalar e financeiro dos acidentes de trânsito no RN (2025-2026)”, aponta que, em 15 meses, foram registrados 22.478 atendimentos relacionados a acidentes de trânsito na rede pública estadual, uma média de 51,2 vítimas por dia. Os custos para o Sistema Único de Saúde (SUS) chegaram a R$ 6.363.332,11.

Os pesquisadores alertam ainda para a gravidade dos casos. Cerca de 30,6% dos pacientes precisaram de internação, enquanto 3,75% (843 pessoas) necessitaram de tratamento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em casos mais graves, o custo do atendimento pode ultrapassar R$ 10,5 mil por paciente.

De acordo com a pesquisa, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, concentra 56% dos atendimentos às vítimas de acidentes, enquanto o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, responde por mais de 33% dos casos. Junto com o Hospital Regional Cleodon Carlos de Andrade, em Pau dos Ferros, essas três unidades concentram 98,34% de todos os atendimentos de trauma no estado.

O levantamento também mostra que Natal concentra 21,11% dos atendimentos, seguida por Mossoró (18,94%), Parnamirim (4,76%), São Gonçalo do Amarante (3,06%) e Pau dos Ferros (2,26%).

Os pesquisadores identificaram ainda um fenômeno relacionado ao deslocamento diário entre municípios da Região Metropolitana de Natal. Embora a capital registre o maior número de ocorrências, muitos dos acidentados são moradores de cidades vizinhas, como Parnamirim, que se deslocam diariamente para trabalhar ou estudar na capital.

Outro dado preocupante é o descumprimento das normas de segurança. Segundo o levantamento, 34,02% das vítimas chegaram aos hospitais sem qualquer equipamento de proteção individual (EPI) e, em mais da metade dos casos envolvendo motociclistas, os condutores estavam sem capacete.

O relatório aponta que 82% dos acidentes são resultado de colisões (44,4%) e quedas de veículos (38,3%), demonstrando que esses dois tipos de ocorrência concentram praticamente toda a demanda por atendimento.

A pesquisa também confirma que os finais de semana são os períodos mais críticos. Aos sábados, a média é de 60,1 acidentes por dia, enquanto aos domingos esse número sobe para 67,6 ocorrências diárias. Além disso, os meses de junho e dezembro registram picos de acidentes, com aumento da demanda hospitalar para quase 60 pacientes por dia.

O estudo chama atenção para a vulnerabilidade dos pedestres idosos. Pessoas com mais de 70 anos representam a maioria das vítimas de atropelamentos e apresentam uma taxa de letalidade de 3,51%, cerca de cinco vezes maior que a dos motociclistas, cuja letalidade é de 0,72%, apesar de estes registrarem o maior número absoluto de mortes.

Entre os idosos, a situação é ainda mais preocupante. Pacientes acima de 70 anos apresentam a maior taxa de mortalidade (4,28%) e também a maior necessidade de internação em UTI (7,45%), devido à maior fragilidade física.

Para a equipe do LAIS/UFRN, os acidentes de trânsito deixaram de ser apenas um problema de mobilidade e segurança viária para se tornarem um dos principais desafios da saúde pública no Rio Grande do Norte, gerando elevados custos aos cofres públicos, sobrecarregando hospitais e exigindo cada vez mais investimentos em prevenção, fiscalização e educação no trânsito.

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