O bispo diocesano de Mossoró, Dom Francisco de Sales Alencar Batista, O.Carm., celebra nesta sexta-feira, 14 de agosto, 10 anos de ordenação episcopal. Uma década de ministério marcada pelo serviço à Igreja, pela proximidade com o povo e por uma missão construída a cada passo, nas diferentes realidades onde foi chamado a servir.
A ordenação aconteceu em 2016, em sua terra natal, Araripina (PE), em uma celebração realizada em frente à Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Dom Francisco foi ordenado bispo por Dom Antônio Muniz Fernandes, diante de familiares, amigos, religiosos, sacerdotes, bispos e da comunidade que acompanhou de perto sua caminhada vocacional.
Ao recordar aquele momento, Dom Francisco destaca a emoção de retornar à terra onde sua vocação começou a florescer, depois de seis anos vivendo em Roma.
“Foi um momento intenso e radical, pois eu estava há seis anos morando em Roma. Voltar para minha cidade, para minha comunidade de fé, com a presença de tantas pessoas, da minha família e, sobretudo, do meu pai, já com a saúde frágil, foi muito forte. Ele estava ali vivendo um acontecimento que tanto havia pedido: a minha volta para perto da família. Foi bonito, forte e emocionante.”
Uma vocação que nasceu na comunidade
Francisco de Sales nasceu em Araripina, no dia 17 de abril de 1968, filho de Jacob Alves Batista, já falecido, e Francisca Noêmia de Alencar Batista. Sua história vocacional começou ainda na adolescência, no ambiente simples da zona rural, entre a família, a catequese e a vida comunitária.
Aos 18 anos, ingressou no noviciado carmelita, em Camocim de São Félix (PE). Estudou Filosofia em Curitiba e Recife e Teologia em Dublin, na Irlanda. Foi ordenado presbítero em 25 de novembro de 1995.
Na Ordem do Carmo, assumiu diferentes missões. Foi reitor da Basílica do Carmo, secretário e conselheiro da Província Carmelitana Pernambucana e prior provincial entre 2005 e 2011. Posteriormente, seguiu para Roma, onde exerceu as funções de vice-prior do Centro Internacional Santo Alberto e secretário-geral da Ordem do Carmo.
Cajazeiras: o primeiro amor no episcopado
Em 8 de junho de 2016, o Papa Francisco o nomeou bispo da Diocese de Cajazeiras, na Paraíba. Foi ali que Dom Francisco começou a descobrir, na prática cotidiana, a dimensão do ministério episcopal. Por isso, costuma se referir àquela Igreja Particular como seu “primeiro amor”.
“Eu entendi que um bispo se faz caminhando em um território concreto de uma diocese que a Igreja lhe confia. É um amor que deve estar plantado no coração do bispo e ao qual ele dedica todos os seus esforços.”
Em Cajazeiras, viveu uma caminhada de proximidade, diálogo com o clero e presença junto às comunidades. Também atravessou os difíceis anos da pandemia, experiência que trouxe desafios e aprendizados ao seu ministério.
Para Dom Francisco, não existe um diploma pronto para ensinar alguém a ser bispo. A missão é aprendida no caminho, na escuta e no encontro com o povo.
“Cajazeiras foi esse amor que a gente leva sempre no coração. Foi o chão, o alicerce onde compreendi a própria missão. A cartilha se faz na prática, de maneira itinerante, nos ambientes da Igreja Particular.”
“Toda vocação é para o serviço”
Ao falar de sua própria história, Dom Francisco volta às raízes. Foi por volta dos 13 ou 14 anos, na zona rural de Araripina, que os primeiros sinais do chamado começaram a ganhar forma. A madrinha, que também era sua catequista, a participação na paróquia e a convivência com sacerdotes foram fundamentais nesse discernimento.
Aos jovens que sentem no coração a inquietação vocacional, o bispo recorda que o chamado de Deus não deve ser compreendido como privilégio pessoal, mas como dom colocado a serviço dos outros.
“A vocação nasce de um clamor interior do Espírito e, por meio da experiência de fé na comunidade, desperta no jovem o desejo de responder. Toda vocação, seja qual for, até mesmo a vida mais contemplativa, será sempre uma vocação para o serviço ao povo de Deus.”
Um novo capítulo na Diocese de Mossoró
Desde 17 de fevereiro de 2024, Dom Francisco de Sales está à frente da Diocese de Santa Luzia de Mossoró, dando continuidade a uma caminhada episcopal alicerçada na escuta, no diálogo e na presença.
Como bispo diocesano, tem incentivado uma Igreja cada vez mais sinodal, missionária e próxima das comunidades, com atenção também às pessoas e populações em situação de vulnerabilidade.
Ao completar dez anos de episcopado, sua trajetória recorda que o ministério de um bispo não se resume às funções que exerce, mas se constrói diariamente na disposição de caminhar com o povo que lhe é confiado.
Uma década depois daquele dia em Araripina, permanece o mesmo chamado que atravessa toda vocação cristã: servir.
