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Leão XIV no Regina Caeli: a fraternidade e a paz são o nosso destino

O Evangelho proclamado neste domingo introduz-nos no diálogo do Mestre com os seus, durante a Última Ceia. Em particular, ouvimos uma promessa que nos conecta desde já no mistério da sua ressurreição. Jesus diz: «Quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também» (Jo 14, 3).

Com essas palavras, o Santo Padre comentou o Evangelho deste domingo, 3 de maio, no Regina Caeli, ao meio-dia, ao rezar com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro para a oração que substitui o Angelus no perído pascal.

Neste tempo litúrgico, tal como a Igreja nascente, ressaltou o Pontífice, recordamos as palavras de Jesus que revelam todo o seu significado à luz da sua paixão, morte e ressurreição. O que antes escapava aos discípulos ou lhes causava perturbação, agora ressurge na memória, aquece o coração e dá esperança.

Em Deus há lugar para cada um

Os Apóstolos descobrem que em Deus há lugar para cada um. Dois deles tinham-no experimentado desde o primeiro encontro com Jesus, junto ao rio Jordão, quando Ele se deu conta de que o seguiam e os convidou a ficar naquela tarde na sua casa.

Também agora, diante da morte, Jesus fala de uma casa, desta vez muito grande: é a casa do seu Pai e do nosso Pai, onde há lugar para todos. O Filho descreve-se como o servo que prepara os aposentos, para que cada irmão e irmã, ao chegar, encontre o seu pronto e se sinta desde sempre esperado e finalmente encontrado.

O Papa observou que no mundo antigo em que ainda caminhamos, chamam a atenção os lugares exclusivos, as experiências ao alcance de poucos, o privilégio de entrar onde ninguém mais pode. Em vez disso, no mundo novo para onde o Ressuscitado nos leva, aquilo que tem maior valor está ao alcance de todos. Mas não por isso perde o seu encanto. Pelo contrário, aquilo que está acessível a todos agora gera alegria: a gratidão substitui a competição; a acolhida apaga a exclusão; a abundância já não implica desigualdade.

Em Deus cada um é finalmente ele mesmo

Acima de tudo, ninguém é confundido com outra pessoa, ninguém está perdido. A morte ameaça apagar o nome e a memória, mas em Deus cada um é finalmente ele mesmo. Na verdade, é este o lugar que procuramos durante toda a vida.

«Tende fé», diz-nos Jesus. Eis o segredo! «Tende fé em Deus e tende fé também em mim». É precisamente esta fé que liberta o nosso coração da ansiedade de obter e de possuir, do engano de perseguir um lugar de prestígio para valer alguma coisa. Cada um tem já um valor infinito no mistério de Deus, que é a verdadeira realidade. Amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou, oferecemos a nós mesmos essa consciência. É o mandamento novo: assim antecipamos o céu na terra, revelamos a todos que a fraternidade e a paz são o nosso destino.

Com efeito, no meio de uma multidão de irmãos, no amor, cada um descobre ser único, disse por fim o Pontífice, pedindo, então, a Maria Santíssima, Mãe da Igreja, para que cada comunidade cristã seja uma casa aberta a todos e atenta a cada um.

Fonte: Vatican News

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