Serie “Verbo Sertanejo”- Entre Memória e Resistência: a poesia viva de Genildo Costa
Poeta, escritor, cantor e compositor, voz viva das tradições populares, Genildo Costa carrega na palavra a força de quem cresceu entre o vento do litoral e as histórias do povo.
Natural de Grossos, no Rio Grande do Norte, ele construiu uma trajetória marcada pela simplicidade, pela oralidade e por um profundo compromisso com a cultura nordestina.
Sua poesia retrata seu amor pela cultura local e suas raízes. Seus versos de pura resistência figuram em meio à rapidez do mundo, como um sopro de sensibilidade e permanência.
Nascido em 17 de setembro de 1960, em Grossos, Genildo Costa é filho do funcionário público Dagmar da Costa e Silva e da costureira Antônia Vanda de Araújo Silva. Cresceu em uma família numerosa, ao lado de cinco irmãos, em um ambiente onde a poesia já fazia parte do cotidiano.
A influência veio de dentro de casa e também das gerações anteriores. Seu avô, Miguel Erasmo da Silva, e seu pai, Dagmar, além de poetas como Raul da Barra e Luiz Campos, ajudaram a moldar seu olhar sensível e sua relação com a palavra.
Da sala de aula ao palco da cultura
Aos 17 anos, mudou-se para Mossoró para concluir os estudos, período em que morou na Casa do Estudante. Mais tarde, formou-se em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
Durante cerca de 10 anos, atuou como professor, experiência que também dialoga com sua veia comunicadora e formadora. Mas foi na arte que encontrou seu caminho definitivo.
Decidido a seguir seu sonho, lançou o disco Cores e Caminhos, trabalho que ampliou sua atuação para além da poesia. O álbum teve três músicas incluídas na trilha sonora do filme Caldeirão do Diabo, gravado na Penitenciária João Chaves, em Natal, um marco importante em sua trajetória artística.
O poeta em movimento
A atuação de Genildo Costa vai além dos palcos. Idealizador do projeto Canto Potiguar, por dois anos percorreu diversas cidades, levando música e poesia por todo o estado. Também apresentou o programa Cultura dos Monxorós, na Rádio Rural de Mossoró, ampliando ainda mais seu alcance e reafirmando seu papel como agente cultural.
Foi secretário de Cultura da cidade de Grossos, onde desenvolveu importantes projetos culturais e, atualmente, preside a associação Centro de Artes Miguel Erasmo da Silva – Camboar, onde reúne um acervo riquíssimo que resguarda e perpetua a cultura popular.
Palavra que aproxima
A escrita de Genildo Costa é marcada pela linguagem acessível e pela conexão direta com o público. Seus poemas não se distanciam: eles convidam. Há humor, crítica social, memória e afeto em suas construções.
Seus versos revelam um olhar atento sobre o tempo presente, sem perder o vínculo com o passado. É essa combinação que faz sua obra atravessar gerações e expõe, declaradamente, seu amor por sua cidade, Grossos, e pelos camboeiros que estão diretamente ligados à sua história.
“Não conheço essa fera que agoniza, todo verde existente nessa mata
Mata virgem onde cantou a passarada, anunciando a invernada no sertão.
Os abalos da própria evolução reverteram todo o quadro, com certeza
Abolindo as leis da natureza, fez brotar reboliço e assombração.
Com a chegada da industrialização, acelera-se o ritmo da pobreza
O operário é sinônimo de fraqueza, como engrenagem de toda produção.
Desse conjunto de forças produtivas que conduz o progresso social
Intensifica o próprio capital que aniquila, mata e devora.
Só a luta de classe determina o avesso do avesso da história”.
Avesso do Avesso- Genildo Costa.
Obras do Artista
Entre os livros lançados estão “Cotidiano em Dois Tempos” e “A Sombra da Gaivota e A Saga da Poesia Sobrevivente”. Sobre os discos: “Cores e Caminhos” e “Camboar”, sendo este último transformado em DVD.
Uma voz que permanece
A trajetória de Genildo Costa é, acima de tudo, um testemunho de pertencimento. Sua poesia não apenas narra histórias: ela preserva memórias, fortalece identidades e mantém acesa a chama da cultura nordestina.
E é assim, entre lembranças e vivências, que sua arte segue ecoando viva, necessária e profundamente nordestina.