Cedida

VERBO SERTANEJO

Um nome, uma homenagem, uma história: a trajetória poética de José Di Rosa Maria

O poeta tem luz própria para enxergar o mundo. Caminha pelas veredas das esquinas, observa os detalhes que passam despercebidos aos olhos comuns e transforma o cotidiano em versos. Assim é José Ribamar de Carvalho Alves, conhecido artisticamente como José Di Rosa Maria, poeta e cordelista que fez da palavra um caminho de vida, fé e resistência cultural.

Há 43 anos, ele percorre as estradas da poesia popular nordestina, construindo versos, escrevendo cordéis e preservando tradições que atravessam gerações. Sua trajetória não cabe em um único poema, porque foi construída dia após dia, palavra após palavra, sempre iluminada pela inspiração que considera um dom divino.

Para José Di Rosa Maria, a poesia é muito mais que uma manifestação artística. É uma criação da alma em seu estado de graça. Como ele próprio define, seus versos nascem de uma inspiração que escorre pelos dedos de Deus e repousa sobre suas invenções. A observação da vida cotidiana, das pessoas simples, das alegrias e dores humanas também alimenta esse processo criativo que habita sua mente e se transforma em poesia.

Filho de José Alves Sobrinho e Rosa Maria da Costa, ambos de saudosa memória, o poeta escolheu homenagear sua mãe ao criar seu nome artístico. “Di Rosa Maria” é uma reverência à mulher que, mesmo enfrentando cerca de dezoito anos em uma cadeira de rodas, deixou marcas profundas de amor, força e dignidade em sua vida.

A própria história de Ribamar é contada em versos. Registrado como filho de Severiano Melo, nascido em Caraúbas e radicado em Mossoró desde 1998, ele costuma dizer:

Eu sou de três municípios;
Todos três do mesmo Estado,
De Severiano Melo
Como filho registrado;
Em Caraúbas, nascido,
Em Mossoró, radicado.

Hoje, aos 64 anos, constrói sua história ao lado da esposa, Rita de Oliveira Carvalho, dos filhos Isaías, Itamar, Itamara e Taumaturgo, além dos netos Érica Kauane, Luiz Henrique, Maria Clara, Kaio Manoel, Joshua Asafe, Jordan Carlos e Anzo Ravi, que representam a continuidade de uma família marcada pelo afeto e pelas raízes sertanejas.

Com os primeiros estudos realizados na antiga escola do Sítio Boa Vista, em Severiano Melo, José Ribamar transformou a sabedoria adquirida ao longo da vida em uma rica produção literária. Seus versos e cordéis preservam a memória do povo nordestino e reafirmam a importância da literatura popular em tempos de comunicação acelerada e redes sociais.

Sua produção é expressiva: são dez livros publicados e mais de 300 cordéis escritos, retratando personagens, costumes, acontecimentos e valores da cultura nordestina. Entre suas obras está Sonhos de Criança, livro infantil organizado pelos professores Karlla Souza e Ailton Siqueira, do PROFSOCIO – Mestrado Profissional de Sociologia em Rede Nacional da UERN.

Para ele, a poesia continua sendo uma ferramenta de informação, educação, participação e conscientização. É uma voz que resiste às alienações e fortalece a identidade cultural do Nordeste. Afinal, como costuma afirmar, a poesia não nasce de pensamentos confusos; ela surge da refulgência do espírito do poeta.

Entre os muitos versos que produziu ao longo da vida, está o cordel que homenageia a presença feminina na literatura popular mossoroense:

O Cordel na Voz Feminina

Mossoró, pelo cordel,
Lutando todos os dias,
Conta com uma trindade
Produzindo poesias;
Três poetisas, três mães,
Três senhoras, três Marias!

Maria Elma, Maria Kéllia e Lígia Maria.

 

Sua produção pode ser encontrada nas redes sociais, por meio dos perfis José Di Rosa Maria no Instagram e Facebook, além do canal homônimo no YouTube, espaços onde compartilha versos, reflexões e a riqueza da poesia popular nordestina.

Homem de fé, encerra muitos de seus pensamentos com a simplicidade e a profundidade que caracterizam sua obra:

Roguemos que Deus nos dê
Em seu reino uma morada,
Amemos a Deus porque
Tudo sem Deus vale nada.

Assim segue José Di Rosa Maria: poeta, cordelista, guardião da memória popular e intérprete sensível da alma nordestina, transformando a vida em poesia e a poesia em patrimônio cultural vivo do seu povo.

 

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